terça-feira, 3 de maio de 2011

TERRITÓRIO BRASILEIRO


            Com um território de 8 514 876 km², o Brasil é o quinto país do mundo em extensão e fica inteiramente situado a oeste de Greenwich, no Hemisfério Ocidental. Aproximadamente 93% de sua área localizam-se ao sul da linha do Equador, no Hemisfério Sul, enquanto mais de 90% do território brasileiro situa-se na Zona Intertropical (faixa localizada entre o Trópico d Capricórnio, com 13º 27’ Lat. S e o Trópico de Câncer, com 23º 27’ Lat. N.) ao norte do Trópico de Capricórnio.

Extremos do Brasil
            O Brasil ocupa o equivalente a 47% da América do Sul e possui limites com quase todos os países sul-americanos, exceto com o Chile e Equador. Segundo o IBG, há 23 086 km de fronteiras brasileiras: 15 719 km são terrestres, e 7 367 km, marítimas.
            Os pontos extremos do Brasil são:
  1. Mais ao norte: Nascente do Rio Ailã, 5º 16’ N.
  2. Mais ao Leste: Ponta do Seixas, 34º 47’ O.
  3. Mais ao Oeste: Nascente do Rio Moa 73º 59’ O.
  4. Mais ao Sul: Arroio Chuí, 33° 45' S.

O Brasil é um país de grande extensão longitudinal, sendo atravessado por três fusos horários, todos situados a oeste de Greenwich e, portanto, atrasados em relação a ele. O Primeiro fuso brasileiro no sentido leste-oeste é o de Fernando de Noronha, que está duas horas atrasado em relação a Greenwich e abrange todas as ilhas oceânicas do Brasil. O segundo fuso brasileiro é o do horário de Brasília, que está a três horas a oeste de Greenwich. Ele abarca a maioria das Unidades da Federação e acompanha os limites dos estados. O terceiro fuso, que está quatro horas a oeste de Greenwich e uma hora a oeste de Brasília, engloba alguns estados do Centro-Oeste e Norte.

Soberania e Segurança Nacional
            A soberania de um Estado não se limita às suas terras emersas. Entende-se ao seu espaço atmosférico (até em torno de 90 km de altitude), ao seu subsolo e à faixa oceânica contígua. De acordo com a convenção da ONU sobre o direito do mar, o chamado “mar territorial” dos países foi fixado em 12 milhas náuticas (cerca de 22 km), a partir da linha de base (limite entre o território continental e o mar territorial, normalmente definido pela linha da maré).
            Nessa faixa, há total soberania do Estado. Mais larga que o mar territorial, a Zona Econômica Exclusiva (ZEE), de 200 milhas náuticas (37 km), é uma faixa onde podemos, com exclusividade, explorar e aproveitar os recursos biológicos marinhos e os minerais de seu subsolo.
            Todavia, qualquer país possui total liberdade de navegação, sobrevôo, lançamento de cabos submarinos e construção de dutos na ZEE que fica além do mar territorial. O direito do Estado sobre a exploração de recursos da plataforma continental é assegurado pela convenção das Nações Unidas mesmo que a largura da plataforma ultrapasse a da ZEE. Com isso, os mais de 7 mil km de costa atlântica com 200 km de largura são garantidos exclusivamente ao Brasil, para a pesca e a extração de recursos minerais da plataforma continental.

Zonas de jurisdição marítima do Estado Costeiro
            As fronteiras terrestres, por sua vez são alvo de maior preocupação por parte do governo. Apesar de não termos litígios fronteiriços ou conflitos territoriais, o governo procura manter uma forte vigilância nessas áreas, uma vez que são comuns problemas com tráfico de drogas e contrabando, principalmente nas fronteiras com Paraguai, Bolívia, Colômbia e Peru. Esses problemas assumem uma dimensão ameaçadora, quando consideramos que nossa fronteira terrestre totaliza aproximadamente 16 mil km, quase o equivalente à distância aérea entre Brasil e Japão.
            Assim, para solucionar ou amenizar qualquer problema, foram criados, no contexto da política de soberania e segurança nacional, inúmeros planos de vigilância e estratégias, como o conceito de faixa de fronteira e os projetos Calha Norte, Radambrasil e Sivam. Os três últimos foram concebidos com a finalidade inicial de proteger as áreas da Floresta amazônica, cuja monitoração é difícil, dadas sua grande extensão e sua dificuldade de acesso.
            Segundo o IBGE, a faixa de fronteira compreende uma área interna de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território brasileiro, considerada área indispensável à segurança nacional, na qual são vedadas, sem prévio consentimento do órgão federal competente, a prática de concessão de terras, a abertura de vias de transporte e a instalação de meios de comunicação, construção de pontes, campos de pouso, estradas internacionais, etc.
            O Radambrasil é um projeto do Departamento nacional de Produção Mineral do Ministério das Minas e Energia, criado na década de 1970, que visa ao levantamento dos recursos minerais do Brasil por meio do uso de tecnologias, como sensoriamento remoto por imagem de radar e aerofotogrametria para mapeamento completo do território brasileiro.
            O projeto Calha Norte, também denominado “Desenvolvimento e Segurança ao Norte das Calhas dos Rios Solimões e amazonas”, foi elaborado pelo governo militar com o intuito de proteger as zonas fronteiriças da Região Amazônica. Esse projeto efetivou-se em 1985 e abrange uma área praticamente inexplorada com mais de 6,5 mil km² de fronteiras entre Foz do Rio Oiapoque, no Amapá, e Tabatinga, no Amazonas. O Calha Norte compõe - juntamente com o Sivam - o Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), projeto de maior amplitude que visa à proteção da região contra diversos tipos de ameaça, como o tráfico de drogas, as guerrilhas em países vizinhos, o contrabando de animais, a invasão de terras indígenas, o garimpo e o desmatamento ilegais, entre outros. Após mais de uma década de poucos investimentos, o Calha Norte recebeu novas verbas em 2000, permitindo a construção de estradas e quartéis e levando alguns benefícios sociais às aldeias indígenas.
            O Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) é um projeto ambicioso do governo, elaborado entre 1990 e 1997 e que ainda não foi completamente efetivado. Assim, os resultados de sua implementação não podem ser avaliados.
            Ao contrário de muitos países do norte desenvolvido, como Reino Unido e França, que possuem soberania sobre territórios não contíguos e distantes, inclusive situados na América do Sul, como as Ilhas Falklands, do Reino unido, e a Guina Francesa, que é um Departamento Ultramarino da França, o Brasil não possui territórios além-mar, departamentos ultramarinos ou qualquer outra forma de posse sobre outros territórios que não sejam o que foi ocupado historicamente desde a chegada dos portugueses.
            Todavia, em 1º de Dezembro de 1959, doze países - Argentina, Austrália, Bélgica, Chile, Estados Unidos, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, República Sul-Africana (hoje África do Sul) e União Soviética (extinta em 1991) - assinaram o tratado da Antártica que passou a vigorar em 1961. Esse tratado estabeleceu que toda a área ao sul do paralelo 60ºS não poderia sofrer reivindicação territorial e seria usada somente para fins pacíficos, havendo proibição de qualquer atividade de natureza militar, explosões nucleares e deposição de resíduos radioativos. Ficaram garantidas a liberdade de pesquisa científica e a preservação do ecossistema antártico.
            O Brasil em 1975 e passou a ter soberania sobre navios e as bases militares que estão situados fora de nosso território, ainda que não tenha a posse legal das áreas ocupadas pela base científica situada na Ilha Rei George, na Antártica.
Base Científica de Comandante Ferraz
            A base científica de Comandante Ferraz tem capacidade para abrigar 46 pessoas e localiza-se na Ilha Rei George, na Baía de Almirantado, no Arquipélago das Shetlands do Sul, inaugurada em 1984. O Programa Antártico Brasileiro - Proantar, criado em 1982, realiza pesquisas científicas no continente antártico, visando ampliar os conhecimentos dos fenômenos que ali ocorrem em todos os seus aspectos e influência sobre o Brasil. O Proantar é executado, de forma descentralizada, por diversas universidades institutos de pesquisa e entidades públicas e privadas, de acordo com um planejamento elaborado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), cuja coordenação está a cargo do Ministério da Marinha.

Formação do Território Brasileiro
Tratado de Tordesilhas
            A configuração territorial de um país é fruto de um longo processo histórico. Os limites do território brasileiro modificaram-se inúmeras vezes no decorrer de sua história, envolvendo a participação da sociedade e do governo.

Expansão das atividades econômicas e colonização do território
            A formação do território brasileiro tem sido marcada pela expansão do espaço produtivo, mediante a incorporação de novas áreas ao processo de produção. Foi assim desde a época da Colônia até os dias atuais. Com o passar do tempo, a expansão se deu de formas diferentes, imprimindo no território novos usos da terra, da ocupação, produção e apropriação do espaço. Dessa maneira, cada um dos ciclos econômicos, como pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro, borracha, cacau, além da atividade industrial, ajudou a ampliar, construir e transformar o território brasileiro de uma maneira particular. Essas mudanças ficaram, em muitos casos, impressas na paisagem.

Formação das Fronteiras
            Os limites do território brasileiro que conhecemos hoje são frutos de um longo processo histórico. A maior parte deles emergiu após a Independência, em 1822, durante o Período Imperial e o início da República, na última década do século XIX.

Referências:
Apostila Geografia, Ensino Médio, 2ª Série, 1º Volume. Páginas 2 a 13. Adaptado.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O MUNDO BIPOLAR


            A geopolítica bipolar, marcada pela supremacia dos Estados Unidos e da União Soviética, definiu as relações internacionais e o destino de quase todos os países nas décadas seguintes ao final da Segunda Guerra. Praticamente todos os acontecimentos políticos e militares, entre 1947 e 1989, ocorreram nesse contexto de Guerra Fria: a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã, a descolonização na África e na Ásia, a Revolução Cubana, os conflitos no Oriente Médio, a questão alemã e outros.

            Aproveitando-se de guerras regionais, as duas superpotências procuravam demarcar ou ampliar suas áreas de influência, cujos limites adquiriram dimensão mundial.
            Cinco anos após o término da Segunda Guerra, em 1950, os dois países já se defrontavam indiretamente na Guerra da Coréia. Em 1959, a Revolução Cubana enfrentou a oposição dos vizinhos norte-americanos, o que levou Cuba, nos anos seguintes, ao alinhamento com a União Soviética e á integração ao bloco socialista. Foi a primeira grave ruptura do domínio absoluto dos Estados unidos em seu “quintal” - a América Latina. A União Soviética também viveu sérios conflitos em seus domínios, como as tentativas de insurreição na Hungria, em 1956, e na Tchecoslováquia, em 1868, ambas sufocadas pelo exército soviético.
            O ano de 1964 marcou a intervenção direta dos Estados Unidos no Vietnã, num conflito que se arrastava desde o final da Segunda Guerra, contra o colonialismo francês.
Josef Stálin
            Os Estados Unidos, com a sua política de contenção do comunismo, sempre apoiaram as tropas francesas. No entanto, a participação direta dos norte-americanos revelou-se desastrosa. Além das perdas humanas (cerca de 50 000 mortos e 800 000 entre feridos e mutilados), que mobilizaram negativamente a opinião pública norte-americana, a guerra teve um custo astronômico. Em 1973 os Estados Unidos retiraram-se da guerra, derrotados e totalmente desmoralizados.
            Os Estados Unidos e a União Soviética já haviam iniciado em 1955, após a morte do ditador russo Josef Stálin, uma política de coexistência pacífica, chamada détente. No entanto, os dois países não cessaram a pesquisa e a produção de armas e mantiveram suas políticas externas de apoio e estímulo a conflitos nas mais diversas regiões do mundo.

OS NÃO-ALINHADOS
Conferência de Bandung
            Esse mundo dominado por duas grandes superpotências, cujo equilíbrio estava baseado no poder de destruição das armas que acumulavam, impediu que a maior parte dos demais países exercesse a autodeterminação, vendo-se obrigados a alinha-se com um dos dois modelos políticos e socioeconômicos: o americano, capitalista, ou o soviético, socialista.
            Mas houve tentativas nesse sentido. Uma delas foi o desenvolvimento dos não-alinhados, estabelecido em 1955 na Conferência de Bandung, Indonésia. Reunindo cerca de 30 países africanos e asiáticos, essa conferência exigiu participação mais ativa desses países nas decisões internacionais e uma política de neutralidade em relação à bipolaridade estabelecida pela Guerra Fria.
            A partir desse encontro popularizou-se o termo Terceiro Mundo, que passaria a se referir à formação de um bloco de países independentes das orientações das duas grandes indiscriminadamente ao conjunto dos países subdesenvolvidos do planeta. Entretanto, apesar da proeminência e da liderança de várias personalidades que participaram ativamente desse movimento, o bloco dos “países não-alinhados” não conseguiu romper a divisão estabelecida pelos Estados Unidos e pela União Soviética.

O GOLPE DE 1964 NO BRASIL E O MUNDO BIPOLAR
João Goulart (Jango)
            De 1961 a 1964 o governo do presidente João Goulart (Jango) desenvolveu uma política externa independente das superpotências da Guerra Fria, caracterizada pelo nacionalismo. Goulart também se mostrou em diversos momentos sensível às questões trabalhistas e sociais. Em fevereiro de 1964 anunciou as reformas de base: um conjunto de reformas sociais que incluía a reforma agrária. Em 31 de março de 1964, o presidente foi deposto por um golpe militar que teve apoio da elite conservadora e da CIA, a Agência de Inteligência dos Estados Unidos.
            Os militares seguiram governando o país por mais de duas décadas. Nesse período promoveram a repressão aos grupos que se opunham a eles e às manifestações populares, implantaram a censura à imprensa e aos movimentos culturais e institucionalizaram a tortura como método para acabar com os grupos clandestinos de orientação socialista. Promoveram o alinhamento do Brasil à política externa norte-americana, demarcando a posição brasileira na ordem mundial bipolar.

Brasil: os militares tomam o poder
            Ao apoiar reivindicações sindicais e populares, Jango crava polêmicas com as tradicionais lideranças políticas, econômicas e militares do país. Sua política externa independente - cancelou concessões de jazidas de ferro de empresas norte-americanas, restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética e ficou neutro na crise entre Estados Unidos e Cuba - provocou atritos com investidores estrangeiros.
(Nosso Tempo, O Estado de S. Paulo / Jornal da Tarde, 1995, p. 474.)

FIM DA ORDEM BIPOLAR
            De 1945 a 1970 o mundo viveu um ciclo de propriedade econômica. Tanto a economia capitalista como a socialista tiveram um crescimento econômico surpreendente, ressaltados os diferentes níveis de desenvolvimento entre os países de cada um dos grupos. A partir da década de 1970, os dois modelos econômicos começaram a apresentar sintomas de crise.
            No mundo capitalista, a crise teve origem nos crescentes déficits comerciais e orçamentários dos Estados Unidos, que levaram o governo desse país, em 1971, a desvalorizar o dólar em relação ao ouro e, em 1973, a decretar a livre conversibilidade da moeda (ou seja, a flutuação do valor do dólar seria determinada pelo mercado), abandonando a paridade dólar/ouro estabelecida na Conferência de Bretton Woods. Com isso, o dólar se desvalorizou em relação a outras moedas fortes - marco alemão, libra esterlina (Grã-Bretanha), iene (Japão) - aumentando a competitividade dos produtos norte-americanos no comércio externo e diminuindo a competitividade dos produtos dos produtos que eram tradicionalmente importados pelos Estados Unidos.
            Nessa conjuntura, a crise se alastrou por todos os países capitalistas, por conta da força da economia norte-americana no mundo. A recessão espalhou-se pelo mundo e abalou principalmente as economias menos desenvolvidas, que dependiam, por um lado, dos investimentos estrangeiros e, por outro, das exportações de produtos agrícolas e matérias-primas para os países desenvolvidos.
            Todo esse quadro foi agravado, ainda na primeira metade da década de 1970, pelo forte aumento do preço do petróleo em 1973, que ficou conhecido como Primeiro Choque do Petróleo.
            No mundo socialista, a crise era resultante do esgotamento do próprio modelo econômico, baseado no planejamento estatal. A falta de criatividade e agilidade para modificá-lo levou ao fim de praticamente todo o sistema.
            Além disso, tanto os Estados Unidos como a União Soviética gastavam quantias enormes em armamentos e na construção de foguetes, naves e satélites espaciais, Essa insensata competição ganhou “apelidos”: corrida armamentista e corrida aeroespacial.
            No caso dos Estados Unidos, a tecnologia militar acabou sendo adaptada à geração de produtos para a economia civil. Mais de 3 000 novos produtos de consumo, lançados pelos Estados Unidos na segunda metade do século XX< foram criados a partir de tecnologia desenvolvida, inicialmente, para produtos ligados a indústria de guerra ou aeroespacial. Já a União Soviética não conseguiu aproveitar dessa maneira a tecnologia militar.

O COLAPSO DO SOCIALISMO
Sputinik, lançada em 4 de Outubro
de 1957
            O modelo do industrialismo soviético, apoiado nas indústrias de base, de armas e aeroespacial, não acompanhou o mesmo ritmo de desenvolvimento tecnológico de outros setores nos países de economia capitalista avançada. O avanço tecnológico das indústrias aeroespacial e bélica foi significativo, mas não colocava produtos nas prateleiras para a população. A União Soviética vivia um paradoxo: lançou o primeiro satélite artificial (Sputinik, em 04/11/1957), fabricou satélites espiões e mísseis de alta precisão, mas, ao mesmo não conseguiu desenvolver uma indústria automobilística com tecnologia própria, não fabricou uma boa televisão nem mesmo uma simples enceradeira que funcionasse perfeitamente.
            O modelo de economia estatal e planificada apresentava limitações em sua própria concepção. O socialismo, ao transferir todos os meios de produção para a gerência do Estado, não estimulou o desenvolvimento técnico dos setores que considerava secundários. O Estado definia o que seria produzido pelas empresas, determinava que estas comprariam tal produto e em tal quantidade, e estabeleceria o preço. Obrigadas a cumprir as metas de produção e de produtividade traçadas pelos planejadores estatais, as empresas compravam de um único fornecedor as mercadorias ou matérias-primas, independentemente de sua qualidade. Na agricultura, tratores e máquinas agrícolas comumente saíam das fábricas já com problemas de funcionamento, e tinham de ser desmontados e consertados pelos próprios agricultores.
            O planejamento estatal não melhorou a qualidade dos produtos de consumo, que não considerava estratégico, e muitos desses produtos não atendiam às necessidades da população.
            No final da década de 1970, a estagnação econômica atingiu praticamente todos os países socialistas. As indústrias estavam funcionando com grande capacidade ociosa, havia falta de matérias-primas, falta de alimentos e dificuldade para importar produtos básicos para o abastecimento da população e o funcionamento da economia. O custo da Guerra Fria havia se tornado insustentável para a economia soviética e constituía um entrave ao crescimento da população de bens de consumo, no mínimo para atender ao ritmo de crescimento da população.
            Embora a crise econômica tenha se manifestado já na década de 1970, o Leste europeu e a União Soviética mantiveram uma situação artificial de preços baixos dentro de suas fronteiras. Entretanto, não promoveram qualquer alteração no modelo econômico, ineficiente e improdutivo. A imagem mais marcante desse país na década de 80 era enormes filas, em que a população disputava a compra dos poucos produtos disponíveis: Vivia-se uma situação inusitada: a população tinha dinheiro mas não tinha como gastá-lo.
MUDANÇAS NO LESTE EUROPEU
Mikhail Gorbatchev
            A partir de 1985, o governo de Mikhail Gorbatchev promoveu uma grande alteração na estrutura política e socioeconômica da União Soviética. Implantou a Perestroika, uma reformulação da economia que tinha como objetivo o aprimoramento do sistema de produção e a reforma da propriedade partícula, além da introdução de mecanismos de mercado. Para vencer a resistência da cúpula de Partido Comunista, as reformas dependiam de um amplo apoio popular que as legitimasse. Para tanto, do foi implantada a glasnost, conjunto de reformas políticas que permitiam as liberdades de expressão e de informação, contidas até então pelo regime socialista e pela ditadura czarista que o antecedeu.
            A política de austeridade e de redução dos gastos públicos fez com que Gorbatchev promovesse, junto ao governo dos Estados unidos, uma série de acordos de desarmamento, para diminuir os gastos com a corrida armamentista.
Queda do Muro de Berlim
            Os efeitos das transformações na União Soviética no final da década de 1980 atingiram os países do Leste europeu, provocando a queda dos governos socialistas, a democratização das instituições e o estabelecimento de eleições livres e diretas.
            O desmoronamento da economia socialista teve efeitos profundos no espaço geográfico da Europa. Em 1989 a Hungria retirou a cerca de arame farpado que havia em sua fronteira com a Áustria. Os húngaros deram os passos iniciais, no Leste europeu, em direção à privatização e à economia de mercado. Na Alemanha Oriental, a evasão incontrolável dos cidadãos para a Alemanha Ocidental via Tchecoslováquia e Hungria, levou o governo provisório a liberar viagens para o exterior e, em 9 de novembro de 1989, a permitir o livre trânsito através do Muro de Berlim. A população encarregou-se de fazer o resto. Em poucos dias, quase nada restava do muro, principal símbolo da Guerra Fria.

FIM DA GUERRA FRIA E AS NOVAS FRONTEIRAS
            Menos de um ano depois da queda do muro, as duas Alemanhas foram unificadas, causando profundas alterações na geopolítica européia. A Alemanha, já fortalecida economicamente, passou a ser o país europeu com maior influência na porção oriental do continente.
Boris Yeltsin
            Na união Soviética, a população passou a apoiar aqueles que prometiam um caminho mais rápido para a transição. Os ultra-reformistas, que melhor capitalizaram essa insatisfação popular, conquistaram maior espaço no governo. Em 1990, o principal representante desse grupo, Boris Yeltsin, foi eleito presidente da Rússia. Após um ano de governo, declarou total autonomia da Rússia frente à União Soviética, e foi seguido pelas demais repúblicas soviéticas.
            Esse ano de 1991 marcou o fim da União Soviética. As 15 repúblicas socialistas que a constituíam transformaram-se em 15 países independentes. Doze delas associaram-se a uma entidade supranacional mais ampla, a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), cujo limite de atuação e de integração entre os países ainda não está bem definido. Letônia, Estônia e Lituânia reconquistaram sua independência e não aderiam à CEI. Com o desmembramento da Tchecoslováquia, surgiram a República Tcheca e a Eslováquia.
            A Iugoslávia foi totalmente esfacelada. Formada pro várias nacionalidades e culturas distintas, os conflitos separatistas na década de 1990 dividiram-na em cinco países independentes: Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegóvina, Macedônia e Iugoslávia.
            A derrocada do socialismo significou o colapso de todo o sistema de relações internacionais surgido após a Segunda Guerra Mundial e baseado na Guerra Fria. O fim do socialismo na União Soviética e nos países do Leste europeu abriu as portas para uma reordenação geopolítica no mundo.

Bibliografia:
Geografia Geral e do Brasil - Ensino Médio. Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. Editora Saraiva.

terça-feira, 19 de abril de 2011

AS ALIANÇAS MILITARES


OTAN

            O final da Segunda Guerra sinalizava o prenúncio de um novo conflito, cujas proporções seriam imprevisíveis. Já em 1945, os Estados Unidos mostraram ao mundo o seu poder de dissuasão militar ao forçarem a rendição do Japão detonando duas bombas nucleares nas cidades de Hiroshima e nagasaki. Em 1949, a União Soviética fez o seu primeiro teste nuclear, demonstrando que podia competir em igualdade de condições, numa corrida por armas atômicas.

            Ainda em 1949, sob a liderança dos Estados Unidos, foi criado a OTAN (Organização do Tratado de atlântico Norte), um grande sistema de defesa multinacional, que reuniu as forças militares dos Estados Unidos, do Canadá e de vários países da Europa. Em 1955, os países socialistas, sob a liderança soviética, formaram o Pacto de Varsóvia, com a mesma finalidade: a defesa militar comum de seus associados. Em 1991, após o fim da União Soviética, o Pacto de Varsóvia foi extinto.
            Atualmente a OTAN é formada por 19 países. Em 2002 a Rússia começou a participar do Conselho da OTAN sem direito a voto, e esse passou a ser chamado de “Conselho dos 20”.

Bibliografia:
Geografia Geral e do Brasil - Ensino Médio. Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. Editora Saraiva.

A GEOPOLÍTICA NA GUERRA FRIA


            A destruição da Europa durante a Segunda Guerra marcou o fim do amplo poder que o continente havia acumulado nos séculos anteriores. A economia européia estava desorganizada e mergulhada nos problemas internos de sua reconstrução.

            Incapaz de assegurar o seu próprio destino, de articular um sistema de defesa e de restaurar a sua economia sem ajuda externa, os governos dos países europeus foram obrigados a enquadra-se em uma nova ordem mundial, cuja liderança seria disputada pelas potências de fato vitoriosas na guerra; os Estados Unidos e a União Soviética.
            No início da década de 1940, a união Soviética já se destacava frente às demais economias do mundo em alguns setores produtivos, superada apenas pelos Estados Unidos. Após 1945, com a expansão do socialismo, passou a exercer influência direta em quase todos os continentes.
            Os Estados Unidos, por sua vez, tornaram-se a principal liderança do mundo ocidental (capitalista). A guerra havia se convertido num bom negócio para os americanos, pois suas taxas médias de crescimento econômico, do final da década de 1930 ao início da de 1960, foram superiores às de qualquer outro país.
            Após 1945, o mundo foi dividido em dois blocos antagônicos sob permanente ameaça do surgimento de um novo conflito. Em 1947, o presidente Harry Truman, dos Estados Unidos, lançou a Doutrina Truman, cujos princípios norteariam as rivalidades entre Estados Unidos e União Soviética. Denominada também de Doutrina de Contenção, foi criada com o firme propósito de barrar a expansão socialista e inaugurou quatro décadas e disputas entre as duas superpotências. Foi o início da Guerra Fria.
            Todos os conflitos que ocorreram a partir desse período, nos mais diferentes países, por qualquer motivo, tiveram a ingerência de uma das duas superpotências. Normalmente, a interferência dos Estados Unidos e da União Soviética ocorria ao mesmo tempo, cada país apoiando um dos lados.

Bibliografia:
Geografia Geral e do Brasil - Ensino Médio. Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. Editora Saraiva.

PLANO MARSHALL


Chevrolet Bel Air 57 foi um dos
sucessos do século XX.

            Em 1947, os Estados Unidos lançaram o Plano Marshall (European Recovery Program), que visava consolidar o capitalismo na Europa Ocidental e reconquistar o espaço perdido para os soviéticos na Europa Ocidental. Esse plano consistia numa ajuda econômica de grandes proporções a todos os países europeus atingidos diretamente pela guerra, inclusive aos que haviam optado pela orientação socialista. Entretanto, devido a pressões da União Soviética, os países do Leste europeu, exceto a Iugoslávia, recusaram qualquer ajuda dos Estados Unidos.

            O Plano Marshall foi estendido também aos derrotados, como Alemanha (Ocidental) e Itália. O Japão foi beneficiado por um plano similar, denominado Plano Colombo. A recuperação econômica e a regularização do comércio mundial eram essenciais à continuidade do próprio sistema e à contenção do socialismo, além de assegurar para os Estados Unidos um mercado internacional capaz de absorver sua elevada e seu capital excedente.
            O final da Segunda Guerra significou a vitória da democracia sobre o nazi-facismo. A reestruturação dos países foi acompanhada pelo fortalecimento dos ideais democráticos e pelo revigoramento do sindicalismo, que acarretou maiores ganhos salariais e melhor distribuição de renda.
            O Plano Marshall contribuiu para a expansão mundial dos ideais da sociePublicar postagemdade de consumo, base do American way of life (“modo americano de viver”).
            A indústria de bens de consumo duráveis diversificou-se e expandiu o seu mercado. Os lares europeus, e até mesmo de alguns países subdesenvolvidos, foram invadidos por uma avalanche de produtos que passaram a ser consumidos em grande quantidade: rádios, televisores, máquinas de lavar roupa, enceradeiras, aspiradores de pó e, é claro, automóveis.

Bibliografia:
Geografia Geral e do Brasil - Ensino Médio. Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. Editora Saraiva.

A ONU


Sede ONU

            A ONU (Organização das Nações Unidas) foi criada em 1945 pela Conferência de San Francisco, com o objetivo de assegurar a paz mundial e promover a cooperação entre as nações.

            É formado por vários órgãos e por uma série de agências especializadas (por exemplo, para a Educação, Ciência e Cultura - Unesco; para agricultura e alimentação - FAO; para a Saúde - OMS), além de programas e organizações (Programa das Nações Unias para a Infância - Unicef) dos quais participam quase todos os países do planeta. Apesar disso, desde sua criação, não se pôde impedir que ocorressem, no mundo, centenas de conflitos que levaram à morte mais de 20 milhões de pessoas.
            Entre seus princípios, na Carta das Nações Unidas, está registrado que todos os Estados-membros são soberanos e iguais entre si. No entanto, a ONU representa, desde sua criação, os interesses dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. As resoluções tomadas pela Assembléia Geral, onda cada país tem direito a um voto, têm que ser aprovadas por pelo menos nove países do Conselho de Segurança e qualquer resolução até 1990 podia ser vetada pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Atualmente, o poder de veto foi estendido aos cinco membros permanentes.
            Além disso, os Estados unidos têm sido acusados de conquistar votos para o que lhes interessa sobre os mais variados problemas, oferecendo ajuda financeira aos países mais pobres.

Bibliografia:
Geografia Geral e do Brasil - Ensino Médio. Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. Editora Saraiva.

O MUNDO PÓS-SEGUNDA GUERRA


            Logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, que já vinham apresentando crescimento econômico acelerado desde a segunda metade do século XIX, transformaram-se no principal expoente do desenvolvimento capitalista. Era a maior potência industrial e agrícola do planeta, detentora dos maiores recursos financeiros e de grande parte das reservas de outro (em 1948, 72% de todo o ouro existente no mundo estava nos cofres americanos).

            Nesse contexto os Estados Unidos precisavam ampliar o comércio mundial de suas mercadorias, e para isso era necessário fortalecer o capitalismo mundial. O que, por sua vez dependia também da reconstrução da estrutura produtiva e da infra-estrutura dos países europeus que foram afetados pela guerra e que não haviam adotado o socialismo.
            Em 1944, na Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos, os governos dos países capitalistas definiram uma nova ordem econômica, que estimulava a retomada do desenvolvimento capitalista e a maior integração da economia mundial. Para tanto, foram criados o Banco Mundial, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio).
            Inicialmente, o Banco Mundial tinha o objetivo de captar fundos para a reconstrução européia após o término da guerra. Posteriormente, transformou numa instituição que fornecia recursos necessários à criação de infra-estrutura nos países subdesenvolvidos: construção de usinas de energia, exploração de recursos minerais e instalação de indústrias de base e projetos de defesa ao meio ambiente.
            O FMI foi criado para estimular o comércio internacional e promover ajuda econômica e fornecer assessoria técnica aos seus países-membros que viessem a apresentar problemas financeiros. A partir do FMI foram estabelecidas as regras básicas das relações financeiras internacionais. Com a sua criação, os países associados converteram o valor de suas moedas ao doar ou ao ouro, ocorrendo, por causa disso, uma valorização da moeda norte-americana frente às demais. O dólar passou a ser a moeda de referência no comércio mundial e aceito em todas as transações.
            O Gatt foi a terceira instituição básica criada com o objetivo de regulamentar o comércio mundial. Em 1º de Janeiro de 1995, foi substituído pela OMC (Organização Mundial do Comércio).
            Essas três instituições são interdependentes: os países que não respeitam as regras estabelecidas pela OMC, por exemplo, não tem acesso aos recursos financeiros do FMI e do Banco Mundial. Da mesma forma, o Banco Mundial só libera recursos para países que orientam sua economia de acordo com as metas estabelecidas e/ou aceitas pelo FMI.
Bibliografia:
Geografia Geral e do Brasil - Ensino Médio. Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. Editora Saraiva.