quarta-feira, 11 de maio de 2011

Complexos Regionais: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul

            Como todas as divisões regionais, as que foram propostas pelo IBGE apresentam algumas fragilidades que emergem quando analisamos regiões.


            O norte de Minas Gerais, por exemplo, possui mais características naturais e socioeconômicas em comum com o Sertão baiano do que com o próprio sul do Estado. Da mesma fora, a maior parte de Mato Grosso compartilha mais características em comum com a Amazônia do que seus estados vizinhos do Centro-Oeste. O mesmo pode-se afirmar do sul de Tocantins, que apresenta mais semelhanças com o Cerrado e com a economia goiana do que com a região Norte, de domínio amazônico.
            Para evitar essas discrepâncias, o geógrafo Pedro Pinchas Geiger criou, em 1967, a divisão não oficial do Brasil em regiões geoeconômicas ou complexos regionais, que teve maior liberdade de recorte regional por não seguir as fronteiras das Unidades da Federação. Assim, o país ficou dividido em apenas três grandes complexos regionais: a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Sul. Essa divisão considera, sobretudo, a formação histórica e econômica do país, sem desprezar, contudo, alguns critérios naturais. Assim, é valorizada a dinâmica regional brasileira que espelha as grandes tendências econômicas e demográficas de apropriação e valorização do território.
            No plano espacial, esses complexos regionais refletem os resultados da integração econômica promovida pela concentração industrial no Sudeste. Dessa forma, abrangem regiões produtivas com características desiguais, mas que experimentaram a emergência de um mercado interno unificado.
            Como conseqüência dessa divisão do Brasil em regiões geoeconômicas, o oeste do Maranhão e o norte de Mato Grosso foram considerados parte da Amazônia; o sul do Tocantins, parte do Centro-Sul; e o norte de Minas Gerais, parte do complexo regional do Nordeste. Na versão original, elaborada por Geiger, o extremo oeste baiano não fazia parte do complexo regional do Centro-Sul, pois naquela época ainda não tinha características em comum com a economia dessa região. Contudo, com a expansão das fronteiras agrícolas e a chegada da agricultura modernizante da soja, atualmente, na divisão do Brasil em complexos regionais o oeste baiano pode ser considerado parte do complexo regional do Centro-Sul, pois seu espaço assemelha-se em vários aspectos ao que encontramos em Goiás, por exemplo.
            Como você pôde perceber, a divisão do Brasil em regiões geoeconômicas baseia-se na formação histórica e econômica de cada região. O estudo dessas regiões nos revela as diferenças em termos de história e economia, as quais repercutem no espaço geográfico, gerando paisagens e níveis de desenvolvimento.

Bibliografia
Apostila COTEMIG 2011, geografia, 2º Volume. Pág 14.

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